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sábado, 1 de março de 2008

O dia-a-dia de Chico Fotógrafo por alessandro souza

Através da matéria publicada ontem no Correio Braziliense, dia 29 02 2008, fotografada pela colega Zuleika Souza. Tive o prazer de conhecer ao vivo o personagem, o Sr. Francisco Xavier Bezerra, de 57 anos, conhecido também por Chico Fotógrafo.
Ele é uma figura ímpar, muito atencioso, muito didático, e muito experiente na arte da fotografia. A parte técnica, ele adquiriu aos 15anos de idade, lá no interior da bahia, quando se usava chapas de vidro da Kodak emulsionadas. Depois foi-se adaptando as novas tecnologias da época, até chegar ao filme instantâneo"fuji" de hoje pra fotografias 3x4. Ele também tem guardada uma Nikon com lente 28mm, para usar em momentos especiais, como: casamentos, batizados, desfiles e retratos.
Tempo que passei com ele hoje, foram momentos de muito aprendizado e troca de conhecimentos. Mostrei como é a fotografia digital, falei de como alguns fotógrafo usam os atuais equipamentos e tecnologias digitais.
Uma curiosidade da profissão, ele como fotógrafo que trabalha na praça, não quer que o filho siga a mesma profissão, só se for em fotografias de stúdios o para um grande veiculo de comunicação. Ele quer o filho tenha o estudo e formação escolar que ele não teve.


Pois é, nos momentos que estive em seu stúdio ao ar livre, presenciei quatro clientes sendo fotografados, valor por seis fotografias é de R$10,00, e como a sua propaganda é "Foto colorida em 1min", realmente é 1min, se demorar mais, é porque filme está secando. Ele ascende em uma lata de sardinha com um pouquinho de alcool uma pequena chama para acelerar o processo de secagem, e funciona.


O Convidei para participar do grande evento Mundial "PINHOLE DAY", que acontecerá no último domigo de abril, vejo sua participação muito importante para poder trocar conhecimentos com os mais novos fotógrafos.






Aqui a imagem através do espelho, pois nem todo fotógrafo vê sua imagem.













O Grande Chico Fotógrafo em ação.











Aqui uma pequena recordação.








Pedi ao Chico Fotógrafo, pra que ele tirasse algumas fotos minhas, em três momentos,
com minha inseparável camera,
uma para carteirinha de estudante,
e uma com ele o fotógrafo.











Clientes admiram e comentam a qualidade das fotografias afixadas em uma camera artesanal.





Abraço à todos,

mais fotos aqui


Fotos: Alessandro Souza

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

"Sempre estou disposto ao imprevisto" por Cristiano Mascaro

Cristiano Mascaro exibe 50 fotografias em "panorâmica" de sua produção desde os anos 80 no Instituto Tomie Ohtake

Além de exposição, livro lançado hoje revê a sua trajetória, destacando influências de nomes como Cartier-Bresson e Kertész

MARIO GIOIA
DA REPORTAGEM LOCAL

"Um fotógrafo razoável." É como Cristiano Mascaro, 63, se define ao mostrar as 50 imagens que compõem "Todos os Olhares", exposição "panorâmica" ("Retrospectiva não é comigo, eu sou um jovem promissor", brinca) da sua produção, com registros de 1980 a 2008 e curadoria de Agnaldo Farias.
"[As imagens] Vão se encontrando, não é? É, por mais que eu não perceba, não queira, foi esse olho aqui que olhou e elas acabam sempre tendo um vínculo", avalia ele.
"Eu posso ser um fotógrafo razoável, mas eu sempre soube, sem nenhuma má intenção, me aproximar de pessoas admiráveis. O Antonio Candido já fez uma apresentação do meu trabalho, o Ferreira Gullar chamou essas surpresas da fotografia de "espantos", do mesmo modo como o Nelson Rodrigues falava do "sobrenatural"."
Além da mostra, o fotógrafo também é foco de um livro, "Cristiano Mascaro - Desfeito e Refeito" (ed. Bei, organização de Laura Aguiar, R$ 82,50, 128 págs.), que é lançado hoje no instituto. A publicação revisita sua trajetória, com comentários, imagens de sua autoria e de nomes que o influenciaram, como Henri Cartier-Bresson (1908-2004), André Kertész (1894-1985), Ansel Adams (1902-1984) e Sergio Larraín.
"A gente tem de estar disposto para o imprevisto. Eu, pelo menos, não faço um trabalho que você constrói para fotografar. Acho que o sabor da coisa está em, realmente, você sair por aí disposto ao sobrenatural", afirma ele. "O Ansel Adams levou a uma condição extrema a técnica, que virou um elemento de linguagem, ele era muito rigoroso. Mas sua foto mais famosa, "Moonrise, Hernandez, New Mexico" [de 1941], ele fez numa correria, de improviso."
Por isso, São Paulo, cidade de transformações aceleradas e constantes, ainda é um dos principais focos de Mascaro.
"São Paulo exerce um fascínio muito grande sobre mim. Ela está sempre se autodestruindo, não no sentido negativo, se renovando. Há uma diversidade, uma mobilidade, cenários variados. Você fica parado numa esquina, e as coisas acontecem à sua revelia."
E, mesmo sendo retratada por diversas vezes, a cidade não deixa de surpreendê-lo. "Estava fazendo um trabalho por ocasião dos 450 anos de São Paulo para o Instituto Moreira Salles no centro da cidade. Fiquei me hospedando em uns hoteizinhos, e tinha um na Cásper Líbero [o Marian Palace, de 1942] que sempre me interessou. Me hospedei lá e, de madrugada, fui subindo para a caixa d'água. Ao subir a última escadinha, descortinou-se aquela paisagem, foi um fascínio muito grande, um "terra à vista"."
O processo de trabalhar em película também é fundamental para Mascaro. "A satisfação de buscar um lote de provas de contato no laboratório e ver o resultado é muito importante. Vou vendo aos pouquinhos. É igual a uma noite de amor, você não quer que acabe logo."


CRISTIANO MASCARO - TODOS OS OLHARES
Quando: abertura hoje (convidados), às 20h; de ter. a dom., das 11h às 20h; até 4/5
Onde: Instituto Tomie Ohtake (av. Brigadeiro Faria Lima, 201, tel. 0/xx/11/ 2245-1900)
Quanto: entrada franca
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ISTO É MASCARO

Nasceu em Catanduva, interior de São Paulo, em 1944, e tem hoje 63 anos
Estudou na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) entre 1964 e 1968
Em 1968, começa a trabalhar como repórter-fotográfico na revista "Veja"
Em 1974, vira professor e dirige o Laboratório de Recursos Audiovisuais da FAU-USP; faz sua primeira mostra individual, "Paisagem Urbana"

Principais prêmios e bolsas
Bolsa Vitae de Artes (1990)
Prêmio Especial Porto Seguro (2007)

Principais livros
"Luzes da Cidade" (1996)
"O Patrimônio Construído" (2002)
"Cristiano Mascaro - Coleção Senac" (2006)
"Cidades Reveladas" (2006)

Tem fotografias nos acervos da Biblioteca Nacional e do Centro Georges Pompidou, em Paris (França); do Museu Internacional de Fotografia/Casa George Eastman, em Rochester (EUA); do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo); do Masp (Museu de Arte de São Paulo); da Pinacoteca do Estado; e do Instituto Moreira Salles, entre outras instituições
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Fonte: Jornal Folha de São Paulo, edição 28 de fevereiro de 2008.
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Blog do Alê, divulgando a notícia em primeira mão, a você colega fotógrafo.
Não deixem de conferir aqui o blog do Candango Fotoclube
Alessandro Souza

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O fotógrafo: um voyeur. por Tiago da Arcela




O fotógrafo: um voyeur.

"O fotógrafo é, em essência, um voyeur. Em francês, voyeur quer dizer aquele que espia. O que o fotógrafo faz, se não apontar seu olho para a vida das pessoas? Olhar o que elas fazem, comem, vestem, jogam no lixo, como se divertem, descansam, trabalham, brigam, se relacionam...

O fotógrafo é alguém que esteve em algum lugar, bonito ou não, e que olhou o outro - o elo foi formado nessa hora! - achando importante guardar o que viu.
O pior - ou melhor - é que ele não só olha, mas guarda o que viu o olho. E depois mostra para outras pessoas, que terão diferentes experiências subjetivas.
Se repararmos bem, o fotógrafo registra a simples vida que se repete todos os dias. Porque será, então, que uma imagem - um símbolo - de algo que acontece rotineiramente às vezes chama tanta atenção? Será preciso uma fotografia para repararmos a vida que nos rodeia tão de perto? "

Tiago da Arcela é psicólogo e fotógrafo.
http://www.flickr.com/photos/tiagobrazil

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Um dos Grandes Fotógrafo que o Brasil teve Marc Ferrez

foto: MARC FERREZ


foto: MARC FERREZ

foto: MARC FERREZ


foto: MARC FERREZ


foto: MARC FERREZ

Notas sobre o fotógrafo Marc Ferrez

Marc Ferrez e seus contemporâneos:
influências e confluências


Marc Ferrez nasceu quatro anos após a apresentação oficial da daguerreotipia ao mundo e três anos depois da chegada da nova tecnologia ao Rio de Janeiro, no começo de 1840. Integrante do seleto grupo que desenvolveu a fotografia de paisagem a partir das décadas de 1850 e 1860, Ferrez criou a mais significativa representação fotográfica do Brasil durante o século XIX e início do século XX. Nela, vemos a influência do relacionamento com os demais pioneiros dessa arte no país, como os franceses Augusto Stahl, Jean Victor Frond, Revert Henry Klumb e o suíço Georges Leuzinger, que com ele interagiram no início de sua carreira – como demonstra o livro O Brasil de Marc Ferrez, publicado pelo Instituto Moreira Salles.
Único dentre eles a fazer de seu trabalho documental e de paisagem uma atividade exclusiva e rentável durante mais de 50 anos, Ferrez passa a ocupar, a partir de meados da década de 1870, um lugar cada vez mais destacado entre os fotógrafos da corte. Frond havia deixado a cidade em 1862. Klumb e Stahl também já não atuavam no Rio de Janeiro desde o início da década de 1870. Com o encerramento das atividades fotográficas da Casa Leuzinger, em 1875, nenhum fotógrafo paisagista permaneceu ativo na capital do Império além de Ferrez, que se dedica durante aquela década à reconstrução de sua vida profissional, após o incêndio que em 1873 destruíra seu ateliê.
A partir desse período, o fotógrafo integra-se a grandes projetos documentais comissionados pelo governo, acompanhando também obras de construção de ferrovias, de abastecimento de água e do cultivo de café, então o principal produto de exportação do país. O controle da luz e a precisão na escolha do ponto de vista mostram um domínio técnico que o consolidam como maior fotógrafo paisagista do século XIX no país. Como afirma Weston Naef, curador de fotografia do J. Paul Getty Museum, de Los Angeles, “raramente no século XIX um fotógrafo profissional atingiu a maturidade de estilo em menos de uma década; mas esse foi o tempo aproximado que Ferrez levou”.


Sergio Burgi