quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
World Press Photo premia retrato da crise
Principal prêmio de fotografia do mundo contempla três brasileiros; mostra virá a São Paulo neste ano
CARLA ROMERO
EDITORA DE FOTOGRAFIA
No ano passado, o vencedor do World Press Photo, o mais importante prêmio de fotojornalismo do mundo, foi o registro de um soldado americano acuado em sua trincheira no Afeganistão. Na versão 2009 da premiação, já contaminada pelos humores da crise financeira gestada no mercado imobiliário americano, a foto campeã mostra a vistoria policial de uma casa desapropriada por falta de pagamento em Ohio.
O fotógrafo Anthony Suau fez o instantâneo em março de 2008, a pedido da revista semanal "Time". O ensaio produzido pela publicação sobre a crise de solvência dos mutuários americanos, do qual a foto faz parte, conquistou o segundo lugar na categoria Vida Cotidiana.
Apesar de refletir com precisão o clima americano no prêmio principal, o World Press Photo é, de fato, global. Suas dez categorias premiaram 63 profissionais de 27 países, segundo anúnciou ontem a fundação World Press Photo, baseada em Amsterdã (Holanda). Três brasileiros tiveram trabalhos reconhecidos neste ano. Luiz Vasconcelos venceu a categoria Notícias Gerais, com uma foto originalmente publicada pelo jornal "A Crítica", de Manaus. Ele registrou o momento em que a polícia de choque interveio em uma disputa por terras em fevereiro.
Na categoria Cotidiano, Eraldo Perez, da agência Associated Press, recebeu menção honrosa por um registro feito na favela do Coque, no Recife. A foto mostra um grupo de jovens aparentemente descontraídos em torno do cadáver de um rapaz. Já André Vieira, da agência Focus, conquistou o terceiro lugar na categoria Artes e Entretenimento por um retrato do estilista angolano Xhundos, feito em Luanda.
A entrega dos prêmios ocorre no próximo dia 3 de maio, em Amsterdã. No mesmo dia, uma exposição com os trabalhos vencedores será inaugurada na cidade antes de rodar o mundo. São Paulo receberá a mostra ainda em 2009.
Veja galeria com todas as fotos premiadas
www.folha.com.br/090441
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Fonte: Jornal folha de sao paulo 14 02 09
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
A fotografia e a periferia (1) Carlos M Teixeira
I.
A fotografia, a invenção que iniciou a atual predominância das imagens sobre os textos, tem sido vista como um filtro nocivo entre a realidade e o sujeito desde que Louis Daguerre divulgou seu daguerreótipo, em 1839. Nesse ano, pela primeira vez na história da ótica e da química da câmera obscura, foi possível resolver o problema secular da fixação da imagem de maneira a evitar seu desaparecimento, quando Daguerre descobriu o composto químico hoje conhecido como "fixador" pelos fotógrafos. 17 anos mais tarde, a Universidade de Londres incluía a fotografia em seu currículo. Antes, porém, no prefácio da segunda edição de A Essência da Cristandade (1843), o filósofo Ludwig Feuerbach já observava que seu tempo preferia a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade.
Com sua ótica racional baseada nas leis da perspectiva, a câmera fotográfica tornou popular essa forma de representação desenvolvida no século XV, nos primórdios do Renascimento Italiano (a chamada prospettiva). Desde então, assistiu-se a uma reconstrução radical do espaço que, passando pelo desenvolvimento da ciência no Iluminismo, culminaria na superracionalização dos instrumentos da perspectiva ótica.
À racionalização da representação do espaço, seguiu-se a racionalização da construção do espaço – incluindo aí desde o desenho de cidades a edifícios e objetos. Conseqüência de uma longa tradição que foi consolidada no espaço urbano homogêneo do século XIX, os recentes fracassos do funcionalismo do urbanismo moderno são, a grosso modo, o resultado da maneira estritamente científica de se conceber e planejar edifícios e espaços urbanos. As motivações funcionais do atual mundo da fotografia, do vídeo, da computação gráfica, das redes de computadores e do fascínio pela telemática têm contribuído para transformar as representações do espaço em projeções pragmáticas que deixaram de lado aspectos mais subjetivos, substituindo-os por formas de projeção não tão capazes de expressar, no âmbito das duas dimensões, a ordem simbólica do mundo.
É fato verdadeiro que o processo de construir carrega consigo uma dimensão que não pode ser reproduzida através de imagens da obra construída, sendo que os aspectos controversos das leis da perspectiva foram denunciados logo após a popularização dessa descoberta entre os artistas. Já no século XVI, Michelangelo entendia o corpo humano como uma fundação para todas as artes, e criticava o pintor Dürer por tentar fixar uma imagem estática do corpo. Em contraste com um número significativo de seus contemporâneos, Michelangelo não compartilhava a idéia da possibilidade de se fazer arquitetura através de projeções. Sua obra, pelo contrário, era fundada em uma abordagem incorporada da tarefa de construir (2).
Reciprocamente, as representações arquitetônicas também podem ser consideradas como imagens com o potencial para englobar toda uma ordem subentendida. Assim, podemos considerar a fotografia positivamente tomando-a como aquela feita pelo agente cultural preocupado em desvelar a distância enigmática entre a realidade do mundo e suas projeções. A possibilidade de uma arquitetura com significado depende, em parte, da realização de que uma representação deve também se referir a alguma outra coisa. No processo de entendimento das cidades, é importante que não se tome como garantidos certos pré-conceitos sobre imagens arquitetônicas e urbanas, e que se defina os instrumentos para gerar um modelo mais abrangente de compreender as complexidades do meio ambiente urbano. É importante, portanto, que os arquitetos busquem novas narrativas capazes de resgatar uma consciência crítica das implicações culturais das ferramentas convencionais de representação, já que o modo como se enxerga as cidades está diretamente ligado ao potencial para se criar cidades mais eloqüentes em sua dimensão social (3).
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Lente fotográfica é um calendário que funciona por mais de 20 anos
28/01/2009
O fotógrafo e designer indiano Sharad Haksar juntou suas duas especialidades e criou um calendário (quase perpétuo) em uma lente fotográfica. O funcionamento é simples, já que basta girar os aros que indicam ano, mês, dia da semana e dia do mês para – com o perdão do trocadilho – se estar sempre em dia.
Por conta de limitações de espaço no aro que indica os anos, o calendário-lente só é capaz de mostrar a data até 2032. Por enquanto este é apenas um produto-conceito, sem previsão de chegar ao mercado. [Sharad Haksar]
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
Desaparecimento dos filmes Polaroid encerra página na história da fotografia
Em 2009 serão definitivamente enterrados os últimos cartuchos de uma câmera que mudou o rumo da história da fotografia, da arte e da vida cotidiana de milhões de pessoas em todo o mundo. "A Polaroid inventou a primeira técnica que dispensava o quarto-escuro, oferecia uma imagem imediata e totalmente documental", diz o artista Joan Fontcuberta, cuja obra esteve estreitamente ligada a uma técnica que representou uma revolução por dois motivos: "O aspecto lúdico da câmera: é um jogo de mãos. E outro é a grande privacidade que permitiu, ao fazer fotos únicas que ninguém mais precisava ver".
Foi o capricho de uma menina, em 1944, que mudou o rumo da história da fotografia. A filha de Edwin Land, o criador das câmeras Polaroid, queixava-se de que no verão tinha de esperar muitos dias para ver as fotos das férias. A invenção não demorou. "Foi como se todo o nosso trabalho até então tivesse sido apenas uma preparação para conseguir o processo de uma fotografia seca em um só passo", escreveu Land.
O modelo mais popular, o S-X 70, chegou nos anos 1970. Em 1972 a revista "Life" lhe dedicou uma capa. O título: "A câmera mágica". O desenhista Charles Eames escreveu, rodou e realizou um filme de 11 minutos em que explicava o simples uso do aparelho. Os atores mais populares a anunciavam, era uma câmera alegre. E até o Museu do Vaticano a utilizava para mostrar seus trabalhos de restauração nos aposentos de Rafael; também era uma câmera séria. Definitivamente era algo que ninguém podia perder. Em meados da década já haviam sido vendidos mais de 6 milhões. Era só o princípio. Nas mãos de Andy Warhol (que realizou milhares de retratos com ela) se transformaria em mais um ícone pop.
A Polaroid deixou de fabricar em 2007 sua câmera instantânea, diante do sucesso das digitais. A partir de meados dos anos 1990 as vendas milionárias da empresa começaram a cair, até que em 2001 declarou falência. Em 2008 veio o anúncio do fechamento das fábricas de seus carretéis. Diante da onda de fóruns (de www.savepolaroid.com a páginas especiais no Facebook e outras redes sociais) que pediam para salvar a vida dos cartuchos, a empresa deixou aberta a possibilidade de vender a licença. Há algumas semanas apresentou seu novo produto: a impressora de revelação instantânea de bolso PoGo.
Rafael Doctor, diretor do Museu de Arte Contemporânea de León (MUSAC) e importante especialista em fotografia, acredita que o fim da velha Polaroid se enquadra no desaparecimento da fotografia analógica, reflexo de um mundo "em que desaparece a magia do objeto cotidiano. E acredito que as pessoas da minha geração, os que beiram os 40, não estávamos acostumadas a enterrar algo tão cotidiano". Doctor também teve sua Polaroid: "Com ela participamos da magia da fotografia, a surpresa do instantâneo, era um laboratório em uma caixinha". Como o cineasta Ivan Zulueta, que em uma exposição na Casa Encendida em 2005 reuniu 2 mil de suas 10 mil polaroids. O cineasta comparou o efeito da câmera com a da Super 8: trabalhar sem pretensões comerciais, rodando por rodar e fotografando por fotografar. Zulueta disse então: "Aquela maquininha tinha possibilidades enormes. Bastava ler o prospecto: não faça isso que então acontecerá aquilo. Eu fiz tudo".
Impelida pela filosofia de seu criador, a Polaroid foi também uma empresa que desde o início quis aproximar sua invenção da arte. "Há tantas coisas que se podiam fazer com uma Polaroid, tantas possibilidades manuais", indica Barbara Hitchcock, uma das responsáveis pela Fundação Polaroid e autora do livro sobre a mesma publicado pela editora Taschen. Andy Warhol, Helmut Newton, Luciano Castelli, Robert Rauschenberg, Chuck Close, David Hockney, Walker Evans... dezenas de artistas buscaram outras formas de expressão com suas fotos polaroid. "As manipulavam, recortavam, pintavam, eram capazes de inventar mil maneiras de trabalhar com a película. Há algumas semanas em uma conferência em Nova York um de nossos grandes fotógrafos, Ralph Gibson, dizia que hoje temos de falar de fotografia e de fotografia digital, porque a técnica é determinante. Talvez ele esteja mais velho, mas não lhe falta razão."
Hitchcock lembra como Aaron Siskind, já idoso, encontrou na Polaroid a resposta para seus olhos cansados: "Enxergava mal, não podia enfocar com uma câmera normal, então descobriu a Polaroid, podia fotografar quase sem ver, sem enfocar... é uma coisa bonita, não?"
A Polaroid manteve durante anos um programa cultural que forneceu material para escolas e criadores. "Uma filosofia exemplar", diz Joan Fontcuberta. "Era um perfil de empresa que cuidava de seus produtos. Eu comecei com uma de bolso, nos anos 1980, que fazia fotos tamanho carteira. Ao manipulá-la, os efeitos eram muito interessantes. Depois trabalhei com a Positive/Negative 55, que era em branco e preto e da qual saía uma cópia em negativo e outra em positivo. Naquele tempo a Polaroid havia ganhado a batalha da patente instantânea da Kodak e com o dinheiro que ganhou começou a levar ao mundo todo as atividades de sua fundação. Trouxeram para a Espanha sua câmera gigante, que tirava instantâneos de grande formato, e com a qual também pude trabalhar". Para Fontcuberta, o fim da Polaroid faz parte do "darwinismo tecnológico". "O curioso foi que, ao acabar com essa magia alquímica do quarto-escuro, a Polaroid oferecia algo totalmente imediato e documental. Era uma imagem absolutamente carente de truques e enganos. Era uma câmera capaz de dar o testemunho exato de nossa vida."
David Hockney conseguiu com a câmera instantânea um diálogo com sua própria pintura. As mesmas paisagens frente a frente. Andy Warhol (que também adorava o jogo de outra relíquia do passado: o automaton) tirava até 60 polaroids de seus modelos antes de retratá-los. Depois escolhia quatro instantâneos e os mandava para o laboratório. Deles ficava com um, o recortava e manipulava até finalmente ampliá-lo em uma serigrafia.
Nos anos 1970, a Polaroid enviou sua popular S-X 70 e caixas de filmes grátis para uma lenda da fotografia: Walker Evans. O fotógrafo que havia retratado como ninguém os rostos da Grande Depressão já era um homem velho, divorciado e de saúde frágil. Em suas mãos as pequenas Polaroids passeavam por uma torta mordida, um a caixa de correio ou um pobre manequim. Evans fez uma seleção de 120 instantâneos para seu livro "Polaroids", um eloquente exercício de nostalgia documental que hoje representa a viagem sem retorno de um fotógrafo que, obcecado pela perfeição, preferiu se despedir com um brinde à beleza do imperfeito.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Fonte: Uol.com.br




































